quarta-feira, 10 de outubro de 2007


Eu estarei no som dos kissanges

Nas cordas de uma viola

Nos ritmos quentes de Angola


terça-feira, 9 de outubro de 2007

Luanda

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O Mundo

Se abrires a laranja ao meio não ficarás apenas com as duas metades. Olha para a lâmina utilizada. Para a mão direita que segura no punho da faca. É assim: uma teoria do mundo tem duas partes e um ser vivo, e essa coisa viva és tu. Olha de novo para a tua mão que segura a faca que cortou a laranja em dois.
É assim: na lâmina os restos das duas metades da laranja. Misturam-se. Uma teoria do mundo? O mundo não é o nojo de um lado, e o encanto do outro: o mundo mistura. Uma teoria do mundo? A vida não está nas duas partes da laranja, cada uma caída para o seu lado; a vida está na lâmina.

domingo, 16 de setembro de 2007

A poesia não se perde
ela apenas se converte
nestas paredes tão fechadas
que nada têm p’ra me dizer.
O que os muros sociais
têm guardado para contar
ninguém quer encarar.

Somos índios na reserva que visitas
obrigado pelo donativo... não aceito!

Mas a reserva não é mãe
e no meu gueto o medo abala
todos aqueles que ainda
se recusaram a desistir
de procurar na nossa sombra
uma razão para viver
com um pouco mais de dignidade.

Somos índios na reserva que visitas
obrigado pelo donativo... não aceito!

Porque aprendemos tão cedo
a escutar as histórias
como único socorro
promissor que nos resta.

(João Portela)

sábado, 15 de setembro de 2007

Muxima

Cedida pela Morena Nicolau

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Encosta-te a mim

Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.


Jorge Palma, in Voo Nocturno


(dedicado a N.F.)





quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Ao Largo

Há pessoas que nasceram para voar.... fazer ninhos em várias árvores.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Longe

Sonhar acácias!
Sonhar imbondeiros!
Sonhar terra vermelha!
Sonhar kandongueiros!
Sonhar quinguilas!

Rotina

Hoje foste um bom robot?

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Dou por mim a deambular. Ando pela cidade e imagino como seria à 20 ou 30 anos atrás. Imagino como será daqui a 20 ou 30 anos. Penso como será a minha presença se aqui continuar. Penso como será se estiver num outro lugar. Outra cidade, outra aldeia.
África. Até quando?

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Consciente

Os anos vão bazando
um fio de cabelo
mostra o passar do tempo
torna suaves meus ais
aprendi a estar bem comigo
pinto as madrugadas de carinho
amo-te mulher
conheço-te amigo
como quem conhece o mundo
quero-te meu filho
como quem se vê ao fundo
sei cada minuto de sossego
sei cada hora de paixão
sei cada segundo não me nego
sei cada caminho
já sem ilusão

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Cô cô cuê

Bengui dóxi cú batê pêto, sá lá liba cá d'aua taba, conóbia cú sá bissu sótxi, só sá lá vagi cá cum'izê.

Ocá Longo

A paisagem da roça em Ocá Longo era de um majestoso que estonteava: grandes vertentes que iam terminar abruptamente num frondoso vale; árvores altaneiras e seculares cujos ramos se estiraçavam preguiçosamente sobre os cacueiros, como que cansados da sua constante acção protectora; troços de água que desafiavam as fragas agrestes e selvagens e se projectavam no espaço, salpicando-o de infinitas gotas, as quais transmitiam um tom de frescura à paisagem.
Os corpos dos homens e mulheres, empertigados no trabalho, pareciam espelhos, tal a transpiração que os inundava. O tom monocórdico da paisagem, entrecortado aqui e ali por um ou outro queblancaná mais buliçoso, constratava gritantemente com a azáfama que ali reinava. Ouviam-se gritos de estímulo e cada vez mais aquela gente se emaranhava à volta dos cacueiros, como que disposta a despi-los por completo.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O que vês?

Há coisas que não se deveriam ver: não nos deixam dormir.

A beleza - a pureza, a sinceridade - inquieta. Não ajuda os bem-pensantes.